Patrimônio arquitetônico: cultura e memória

09/08/2016 18:34:10 - Atualizada em 09/08/2016 18:36:32 - Por Ana Carolina Dias

Os alunos do Ensino Médio do Colégio Diocesano e da Escola Santo Afonso Rodriguez (ESAR) participaram de uma roda de conversa sobre Educação Patrimonial, proposta pela Casa Magis. A roda de conversa ministrada pela ex-aluna do Diocesano, arquiteta e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Ana Rosa Negreiros, abordou a temática memória e reconhecimento do espaço urbano. Durante esta semana, o hall de entrada do Diocesano recebe a exposição “Teresina em aquarelas”, produzida por alunos do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPI.

Mas afinal o que é Educação Patrimonial? Trata-se de um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo. A Educação Patrimonial possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sócio - cultural e da trajetória histórico-temporal em que está inserido.

Ana Rosa defende que Educação Patrimonial diz respeito à relação entre cidadão e espaço em que vive, e envolve o reconhecimento da cidade. Segundo a arquiteta, a percepção e a apropriação do espaço é fundamental para que haja compreensão da responsabilidade com esse patrimônio. Essa educação visa despertar a consciência dos jovens de que em breve vão começar a trabalhar na cidade e pela cidade.

Laísa de Moraes Santana, aluna da 3ª série do Ensino Médio percebeu que desconhecia muitos lugares mencionados por Ana na palestra e reconheceu a importância de preservar esses locais. "A nossa cultura é muito rica e não conhecemos quase nada da cidade. É importante perpetuar os patrimônios para as próximas gerações".

De acordo com Ana Rosa, a relação das pessoas com a cidade está mudando. Um dos propulsores é o surgimento de projetos coletivos que valorizam o patrimônio e incentivam a preservação do ambiente. “A partir do momento que a população entende que a cidade é sua, passa-se a buscar direitos. Por meio desses coletivos os jovens passam a ter voz”, ressalta.

Teresina é uma das poucas capitais do país que não possui um centro histórico preservado. Segundo relatório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), de dezembro de 2015, Teresina possui apenas cinco bens tombados: as portas da Igreja São Benedito, Ponte Metálica João Luis Ferreira, a Floresta Fóssil no Rio Poty, a Estação Ferroviária e a Igreja Nossa Senhora de Lourdes. De acordo com a arquiteta Alcilia Afonso, no documentário Therezina sem Memória, mais de 250 casas foram demolidas no centro histórico neste século, principalmente para construção de estacionamentos.

Segundo Ana Rosa faltam políticas públicas atentas ao cumprimento de leis que assegurem a preservação do patrimônio. A falta de planejamento contribui para a descaracterização do centro histórico e arquitetônico de Teresina. “Temos que entender a cidade como nosso espaço, nossa casa. O patrimônio material e imaterial da cidade é nossa identidade”.

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