O papa do diálogo e da misericórdia

24/06/2016 08:16:34 - Atualizada em 27/06/2016 07:44:16 - Por Ana Carolina Dias

O papa Francisco conquistou a simpatia dos fiéis por ser um líder simples e carismático. Além disso, o pontífice ganha notoriedade pelas ideias progressistas que vêm transformando a Igreja. O argentino é o primeiro latino-americano e o primeiro jesuíta a ocupar o cargo em mais de 1.200 anos de história. Aos 79 anos, Francisco se faz presente também nas redes sociais e apenas suas contas no Twitter, em nove línguas diferentes, somam mais de 20 milhões de seguidores.

Jorge Mario Bergoglio, seu nome de nascimento, entrou no noviciado da Companhia de Jesus em 1958. Formado em Filosofia, Teologia e Química, foi reitor da Faculdade de Teologia e Filosofia de San Miguel, em Buenos Aires, durante seis anos. Foi bispo auxiliar e arcebispo coadjutor e metropolitano da capital argentina. Em 2001, João Paulo II o nomeou cardeal. Assumiu o papado em 2013 após a renúncia de Bento XVI.

Antes dele, outros 265 homens já foram proclamados bispos de Roma. O precursor de todos foi o discípulo Simão que, renomeado pelo próprio Jesus Cristo, passou a se chamar Pedro – nome de origem grega que significa ‘pedra’, ‘rochedo’. “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, é a fala de Cristo, que pode ser encontrada no capítulo 16 do evangelho de Mateus, que legitima Pedro como seu representante na Terra.

Logo no início do pontificado Francisco se viu diante de grandes desafios, como a reformulação do Banco do Vaticano – envolvido em escândalos de corrupção. “A principal dimensão do papado sempre foi a espiritual, mas ao longo dos anos ele ganhou a dimensão material, porque o papa passou a ser também um chefe de estado”, explica o coordenador adjunto de pastoral do Colégio Diocesano, padre Ednaldo Vieira, SJ. O papa também foi acusado de ter sido conivente com a ditadura em seu país, mas seu biógrafo oficial, Sérgio Rubin, o defende afirmando que, na época, toda a Igreja Católica errou.

Em seus discursos, o papa tem pregado misericórdia e tolerância com relação a assuntos que ainda são estigmatizados dentro da Igreja. Padre Ednaldo destaca que Francisco não pretende impor regras, apesar de ter poder para isso. Segundo ele, o propósito do pontífice é bem maior. “A imposição pode até fazer a ordem acontecer, mas não provoca uma mudança de mentalidade; e se a transformação não for por convicção, quando ele não for mais papa tudo volta a ser como era antes”, explica.

Para padre Ednaldo, Francisco é “um homem de profundo diálogo. É um homem certo, no lugar certo”. E Francisco prova isso em atitudes históricas como sua visita à Havana e posteriormente a Washington, no final do ano passado. A ele é atribuído um papel fundamental na reaproximação entre Cuba e Estados Unidos. Na mesma viagem, o papa se encontrou ainda com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill. Foi o primeiro encontro entre os dois líderes desde a separação das duas correntes cristãs, no ano de 1054.

Há três anos no pontificado, Francisco já escreveu duas encíclicas e duas exortações apostólicas, além de vários outros documentos que podem ser encontrados em https://w2.vatican.va/. Diariamente o papa publica em suas redes sociais, promovendo uma aproximação maior com os fiéis. O Twitter em português é @pontifex_pt e o Instagram único é @franciscus, em que suas postagens são sempre escritas em várias línguas. Há também a iniciativa ‘O Vídeo do Papa’, que divulga mensalmente os pedidos de oração do pontífice no facebook.com/ovideodopapa. 

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