Relação pais e filhos no contexto atual: prevenção à violência autodirigida

07/06/2016 11:34:16 - Atualizada em 08/06/2016 11:35:02 - Por Camila Oliveira

Psicólogo Carlos Henrique de Aragão Neto

A qualidade de vida dos alunos é fundamental. Tendo em vista os altos índices de violência autodirigida na cidade de Teresina, surge a necessidade de discutir o tema também no ambiente escolar. O psicólogo Mestre Carlos Henrique de Aragão Neto deu entrevista ao Site Diocesano sobre como identificar comportamentos não saudáveis e que medidas preventivas podem ser tomadas.

Site Diocesano - Quais sinais servem de alerta a familiares e amigos para que fiquem atentos à um possível problema na saúde mental de um ente querido?

Carlos Aragão - Contrariamente ao que se fala no senso comum, boa parte das pessoas que tiram suas vidas dá sinais de que vão fazê-lo. Entretanto, nem sempre é fácil detectar tais sinais, visto que se apresentam de forma sutil ou não, de forma direta ou indireta, por comunicação verbal ou não verbal. Decodificar essas sinalizações se faz necessário, mas, como disse, na maior parte dos casos não é tarefa simples para quem está convivendo cotidianamente com alguém que está nesse processo. Banalizar o termo “chamar a atenção”, negligenciar um pedido de ajuda, a correria dos nossos tempos, são aspectos que podem dificultar essa decodificação. É importante por demais, estendermos a mão, darmos os ombros, emprestarmos os ouvidos a quem está em sofrimento. Caso chegue no nosso limite de ajuda, encaminhar imediatamente para os profissionais qualificados para atender esta complexa demanda. Alguns sinais que podem indicar o comportamento suicida: perda do prazer em atividades que davam prazer anteriormente; isolamento social; despedidas; se desfazer de objetos ou bens significativos; tristeza profunda; comportamentos de risco; falas como “a vida não tem mais sentido, sinto um grande vazio, não vejo uma luz no fim do túnel” ou coisas do gênero; queda brusca no rendimento escolar; faltar frequentemente ao trabalho; mudanças de comportamento sem justificativas aparentes; entre outros. Vale ressaltar que não é por apresentar um desses sinais que já devemos inferir que alguém vai cometer suicídio. Uma análise apurada do contexto é parte integrante desse olhar mais amplo sobre o processo do indivíduo. Quanto a fatores de risco, entre tantos, a OMS pontua os três principais: a tentativa anterior, transtorno psiquiátrico (principalmente depressão) e o histórico de suicídio na família. Novamente, não é porque incide um desses fatores que necessariamente alguém tira a própria vida. Apenas, há um aumento na probabilidade disso acontecer e devemos dar ainda mais atenção ao caso.

Site Diocesano - Como esses sinais se manifestam na escola?

Carlos Aragão - Mudanças bruscas de comportamento do aluno, queda no rendimento escolar sem motivos aparentes, isolamento, perda de prazer em atividades em que antes tinha prazer, agressividade excessiva, comportamentos de risco.

Site Diocesano - Como ajudar alguém que apresenta algum desses sinais?

Carlos Aragão - Desenvolver a capacidade de ter um olhar mais apurado para as mudanças entre os alunos; ao detectar qualquer sinal de risco, proporcionar um momento com o aluno em local adequado e com tempo suficiente para saber o que se passa com ele. Em seguida, fazer o encaminhamento necessário para a direção e/ou equipe de psicologia da escola e se for o caso, fazer o encaminhamento a profissionais especializados (psicólogo e/ou psiquiatra).

Site Diocesano - E o que não se deve fazer/dizer para evitar que a pessoa piore o seu quadro problemático de saúde?

Carlos Aragão - Não se deve fazer prejulgamentos sobre o aluno, desqualificar o que se passa com ele, tentar doutriná-lo nesse momento.

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