2 de abril: Dia Mundial de Conscientização do Autismo

02/04/2019 14:52:00 - Por Ana Carolina Dias

Uma em cada 59 crianças possuem algum Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os dados são do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CD), dos Estados Unidos, de 2018. Embora não seja rara, as pessoas com a condição médica ainda enfrentam muitos desafios quanto a sua integração na sociedade. Por conta disso, desde 2007, o dia 2 de abril é voltado para a Conscientização Mundial do Autismo.

O autismo é uma das condições que fazem parte do grupo de transtornos do neurodesenvolvimento, conhecido por Transtornos de Espectro Autista (TEA). E, embora tenha algumas características mais comuns como a inabilidade para interagir socialmente, dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se e padrões de comportamentos restritivos e repetitivos, a condição varia de acordo com cada indivíduo.

Dessa forma, é importante esclarecer que o espectro envolve situações e apresentações muito diferentes umas das outras, numa gradação que vai da mais leve à mais grave. Em quadros mais leves, as pessoas podem apresentar-se independentes e com discretas dificuldades de adaptação. Nos casos mais graves, a dependência para as atividades de vida diária (AVDs) e outros comprometimentos tornam a adaptabilidade severamente afetada. O diagnóstico é realizado a partir da avaliação de uma equipe multidisciplinar e leva em conta os critérios estabelecidos por DSM–V (Manual Diagnóstico e Estatístico da Sociedade Norte Americana de Psiquiatria) e pelo CID-10 (Classificação Internacional de Doenças da OMS).

Os diferentes espectros pelos quais o autismo se apresenta é uma das razões pelas quais a conscientização se faz necessária. “Ainda existem muitas pessoas que desconhecem o TEA e suas diferentes características. Elas não entendem que os indivíduos se comunicam de formas diferentes. É preciso entendermos o tempo deles”, afirma a psicopedagoga Luzia Carvalho de Sousa, responsável pelo Atendimento Educacional Especializado (AEE) do Colégio Diocesano.

 

Lei

Em dezembro de 2012, foi sancionada a Lei nº 12.764, que instituiu a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista". A medida fez com que as crianças passassem a ter direito a todas as políticas de inclusão do país, incluindo à educação.

Dentro do ambiente escolar, a psicopedagoga reforça a necessidade das sensibilizações com os estudantes a respeito da integração do aluno com TEA com os demais. O que, segundo ela, pode ajudar até mesmo no processo de aprendizado. “Assim como dificuldades, também tem potencialidades. É necessário que os colegas saibam que ele pode e deve estabelecer grupos de amizades. Com o estabelecimento das amizades, vai se sentir em um ambiente favorável, e, consequentemente, vai desencadear a fluidez da sua aprendizagem e melhora da autoestima”, ressalta.

             De acordo com a coordenadora pedagógica, Eva Barros, embora o laudo médico ajude no conhecimento dos possíveis déficits existentes e nas intervenções pedagógicas que serão feitas com cada criança, as atividades pedagógicas não são determinadas por ele. “Com base na avaliação do nível da criança, a equipe de pedagogos, professores, psicólogas escolar e psicopedagogas decidem pela adaptação do currículo ou pela construção de um currículo específico para cada criança. Essa equipe planeja a produção dos materiais e recursos necessários, mantendo a integridade do conteúdo e apresentando-o em diferentes formatos e linguagens. O objetivo sempre será a aprendizagem do aluno”, afirma a coordenadora.

A mãe do estudante Joaquim Napoleão, que faz o 5º ano do Ensino Fundamental no Diocesano, Leda Moura, afirma que o acompanhamento dos profissionais da escola e a ajuda dos colegas de turma foram fundamentais para a integração do estudante ao ambiente do colégio. “A adaptação foi um pouco difícil, principalmente pela transição entre as duas unidades do Diocesano. Mas, com o acompanhamento da escola, dos professores e dos próprios coleguinhas, hoje percebo ele muito bem direcionado e participativo”, conta a mãe.

Embora o transtorno comece a se manifestar na infância, a condição persiste por toda vida, fazendo necessário que o indivíduo com TEA tenha um bom amparo na infância, para que isso reflita durante o seu desenvolvimento.

Dicas para estimular crianças com autismo no seu dia-a-dia!

Mímica em família frente ao espelho: ajuda no desenvolvimento da consciência de corpo, consciência e distinção entre o Eu e o Outro, identificação e interpretação de emoções.

Atividades de Motricidade: Rasgar revistas, manusear plasticina ou realizar enfiamentos, saltar, correr, jogar bola ajuda a criança a desenvolver a sua noção de corpo, lateralidade, atenção, motricidade global e fina.

Pintar com as mãos, podendo até imitar desenhos uns dos outros: Contribui para fortalecer laços, desenvolver motricidade fina, percepção visual, diminuir déficits sensoriais.

Dançar e/ou ouvir música num volume tolerável à criança: uma estratégia positiva para fortalecer os vínculos parentais, relaxar, desenvolver a noção de corpo, espaço e tempo.

Massagens: uma ferramenta fantástica para desenvolver a noção de corpo, a parte sensorial, contato ocular, regulação e gestão de emoções, relaxar. É verdade que nem todas as crianças com autismo toleram o toque, no entanto, também existem as que adoram esta interação mais próxima!

Jogos de desafios, situações-problema e obstáculos, com gestos, palavras chave: para estimular a comunicação verbal e não verbal, a flexibilidade mental, a resiliência e a motivação.

Comunicar devagar, frases curtas e claras, com entoação e expressões faciais mais exageradas: para ajudar a criança a interpretar e a comunicar de forma mais eficaz. Deverão ainda apontar para os vossos olhos quando estiverem a comunicar para estimular o contato ocular, reforçando sempre quando se concretizar esse contato. Ex.: “que bom que olhas para mim”.

Em momentos de crise: utilizar frases muito curtas com um tom calmo, tocar suavemente ou abraçar e/ou aumentar ajudas visuais. Nestes momentos, a criança não conseguirá gerir novas informações, precisa apenas de se acalmar e sentir-se segura.

 

Fonte: Blog Mais q’ Especial

 

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